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Modalisboa 33 e os criadores nacionais
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JOSÉ ANTÓNIO TENENTE Glam, brilho, cores vibrantes e disco sound, foi o que Tentente quis e fez para o calor de 2010. Para desagrado de alguns o desfile realizou-se no Farol Hotel Design, numa sala em que o ambiente descontraído e divertido contagiou em detrimento do desconforto e falta de visibilidade do desfile (nós não nos queixamos mas mostramos a nossa solidariedade para com quem praticamente quase nada viu). Voltando ao realmente importante: as maquilhagens e os cabelos no backstage já gritavam late 70’s, então os padrões em mousselinas, as polka dots metalizadas, o violeta, o fuchsia e o vermelho vieram reiterar a ideia e quase só faltava a Madonna saltar da capa do Confessions on a Dancefloor. Por irónico que seja o momento alto foi o final – as modelos começaram a dançar, a multidão esmagada, ávida de uma espreitadela que fosse, dissolveu-se, a música continuou e o pé não deixou de bater, com a ajuda do bar aberto e do terraço à beira mar, que fez as delicias dos mais necessitados de ar fresco ou nicotina. E assim, as roupas do senhor Tenente tornaram-se ainda mais desejadas por quem já não conseguia sair do groove. Retro mas contemporânea, 70’s mas sofisticado, cocktail mas relaxado. ![]() PEDRO PEDRO No fim do desfile as opiniões divergiam mas o statement ficou: dressed up sportswear, chamemos-lhe assim. Super curtos e cavados, tecidos mate e lisos e às vezes apontamentos de microplissados, looks esguios em que o recortado não satisfazia, mas aguçava, as curiosidades. Os leggings, esses eram de tirar o chapéu, com os “recortes e reinserções”, as transparências e as estruturas tubulares também nos compraram. Todos podiam ser hit pieces da estação. A paleta era primaveril e viva, claro, sem cair no excessivamente bright e neon que às vezes é tão pecaminosamente apelativo. ![]() ALEKSANDAR PROTIC Talvez um dos desfiles mais aguardados desta edição da ModaLisboa. O que é certo é que não desiludiu. A paleta era simples: um nude intensamente dominante, com beges, softpinks e pretos em sedas, pele e jerseys. Estruturas e drapeados que se moviam levemente com a delicadeza e sobriedade dos materiais, cujo erotismo culminava em transparências sumptuosas. Os zippers destacavam-se pela quebra na elegância flutuante das roupas e assim criavam o equilíbrio perfeito. Os cabelos semi-molhados funcionavam como a cereja em cima do bolo. Quase sem senãos, não fosse apenas gerar-se alguma monotonia, mas que mérito nenhum retira a uma colecção coesa como a apresentada. ![]() DINO ALVES A opulência parece ter voltado para Dino Alves. O vídeo inicial mostrava o designer a ser vendado por correntes douradas: a porta estava aberta para o bombardeamento de brilho que estava prestes a soltar-se. As jóias, aliás, as pessoas enquanto jóias seriam a ideia base de toda a sequência de looks. As modelos faziam-se chegar cobertas de metal dourado na cabeça nas mas variadas formas. La Roux e Peaches soavam nos altifalantes e não havia convidado que se prezasse que não abanasse, pelo menos disfarçadamente, a cabeça. Os looks eram gritantes, os sapatos vertiginosos e os acabamentos (por vezes) duvidosos. O dourado, o bege, o softpink e preto dominaram, os colares eram muito interessantes, o swimwear foi uma estreia para o designer e o trabalho de malhas teve também destaque. ![]() FILIPE FAÍSCA A inspiração de Faísca era África, mas a literalidade não era a da colecção TM Collection. Os tecidos feitos à mão do Norte de África inspiraram a aventura do designer em pesquisar têxteis com base em ráfia de viscose. O conceito vinha de aspirar o que lá poderia haver de punk. A mousselina e o cabedal marcavam presença, transparências e opacos contrastavam. A malha também partilhou a passerelle com ombreiras de detalhe plissado. O desfile conseguiu assim mostrava uma mulher easy, de silhuetas simples e camiseiros que conseguiam ser tanto dia-a-dia como cocktail. ![]() KATTY XIOMARA A mulher de Katty Xiomara já se conhece: jovem e sonhadora, cuja inocência se converte em effortless sexyness muito pouco gratuita. A ideia do paralelismo entre a flor e a mulher esteve na base da colecção. O corte, forma e suavidade da cor das roupas transpareciam o grafismo e natureza estética das flores. O toque e a aura decalcaram-se assim nas peças criando uma agradável fluidez de desfile. Babydolls, nudes e avermelhados, camadas folhos e laços uniram-se assim às modelos para passar a ideia da designer. Materiais e formas não fugiram ao convencional, o arrojado não pretendeu ser um ponto forte, ou sequer um ponto. ![]() LUÍS BUCHINHO Já tínhamos lido sobre medusas. Elas estavam lá, em cima de sapatos, mas estavam. Os microplissados marcavam as destruturas, as assimetrias acentuavam os passos, o movimento sentia-se. Azul, anis, malva, rosa, pérola e preto em voiles, tafetás e jerseys de seda mostravam-se pela mão de Buchinho à semelhança do que já tinha sido feito há semanas em Paris. A curiosidade já estava então algo desfeita, mas ao vivo nunca é o mesmo. Os sapatos, esses talvez desiludissem e retirassem a leveza movimentada das roupas, mas os passos eram assertivos. As manchas cromáticas esfumavam-se em medusas, quer em prints quer em silhuetas, e a junção de tecidos a que Buchinho já nos habituou continuou omnipresente. ![]() NUNO BALTAZAR África continuou a ser reiterada em “Morabeza”, apresentação de Baltazar. As modelos iniciais exaltavam Cabo Verde nas suas curvas e tom de pele, e abriram o desfile a um som claramente africano. O étnico manifestou-se em todas as fazes, quer na mais “tons terra”, “safari” e desértica, quer na mais brilhante, berrante e europeia. A paleta, lá está, oscilou entre o argila e areia e o fucshia, coral, azul, petróleo e vermelho. As silhuetas não passavam pela complexidade, antes por uma abordagem mais comercial e segura, desejada para muitos tipos de ocasião, até por aqueles que pedem mais cauda. ![]() RICARDO DOURADO O ponto de partida foram os 90's. O grunge e as silhuetas simples inspiraram o designer mas, segundo as suas próprias palavras, sempre que um vestígio de literalidade invadia os rascunhos, a sua criatividade corrigia-a e fazia transparecer a sua própria estética. Estampados azulados e negros davam a ilusão de lavagem e os sky-high heels fizeram as delicias de quem via. A joalharia, criada em colaboração com outro designer, mostrava pendentes de cristal e picos metálicos em pulseiras: muito apelativa. O transparente marcou presença, claro, até nas socquettes, como na generalidade dos desfiles nacionais e internacionais. Tudo está bem quando acaba bem, no entanto, o resultado final dos estampados dos últimos looks acabou por desiludir. ![]() Esta reportagem foi realizada pelo blog Tandansse a para a Janela Urbana por Mariana Roxo e Oscar Seguro. Obrigado! |